Quanto maior o investimento, melhor o retorno? Será?

Silvio on 15 de fevereiro de 2018

Às vezes me deparo com “academias faraônicas” recentemente inauguradas com investimentos de alguns milhares de reais. Quando as mesmas terão seus TIRs, paybacks e ROIs de volta? Em outras palavras, quais são os prazos de retorno sobre o capital apostado aqui? A dúvida não é sobre o nicho do mercado fitness de luxo, nem ao menos, sobre o mercado de academias multiplataformas com grandes áreas para abrigar suas atividades além do básico como musculação, peso-livre e cardiovascular. São modalidades como as circenses, lutas com arenas, salas diversas e parque aquático. Antes de tudo, o planejamento financeiro vem junto com a arquitetura e a recíproca é verdadeira também. Penso que o prazo de retorno do investimento deve, em tese, ou em média, se acercar a 24 meses, mesmo em montantes volumosos para academias deste nicho. “Projetos megalomaníacos” devem ser ponderados primeiramente na validação do seu ponto comercial, metragem, materiais e revestimentos a serem utilizados, cotação com a empreiteira a executar a obra e o número dos profissionais e encargos mensais envolvidos. A questão é muito mais complexa mas antes do operacional do dia-a-dia, o arquiteto especialista deveria ter um compromisso com os seus clientes. “Budgets” como R$ 10 milhões de reais, não poderiam, em tese, serem reduzidos a cinquenta por cento para, quem sabe, o modelo econômico da academia, se mostrando viável, partir à uma segunda unidade ao invés de prolongar o prazo do “payback” à primeira?

Não é função do arquiteto ponderar sobre os gastos em maquinários da academia. Não é. Deveriam os consultores contratados a expor aos sócios-investidores sobre a matéria, em alguns casos, do gasto excessivo neste quesito. A fachada da academia é, sempre defendida aqui, como o cartão de visitas e a recepção, a “primeira impressão que fica”. A experiência do cliente nestas academias de luxo devem ser únicas do ponto de vista sensorial, passando na prática pela experiência dos cinco sentidos, em especial, da visão e do olfato. Quais seriam os truques, na verdade, as responsabilidades dos profissionais arquitetos em preservar o capital de seus clientes em matéria de investimento neste segmento de luxo? Gosto dele e gostaria de ver mais redes de academias no segmento “triple e double AA” no Brasil. Para tanto, o planejamento financeiro, já citado anteriormente, mereceria sempre ser revisado e as 10 variáveis básicas sob a ótica arquitetônica validada junto à análise de geolocalização do empreendimento.

Silvio Ary Priszkulnik, associado comercial da Kabbani Arquitetura, especialista em fitness e mercado de expansão e varejo, é Bacharel em Direito e Economia, com experiências no mercado financeiro brasileiro, asiático e europeu.

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